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Roraima vive um clima político tenso no momento, devido aos comentários que partem dos meios militares, segundo os quais há real possibilidade de que ocorra derramamento de sangue durante a operação de retirada dos fazendeiros e rizicultores da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol.

Desde a homologação da TI, em abril de 2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a elite política e agroindustrial do estado tem ocupado os espaços legislativos municipal, estadual e nacional para denunciar a ingerência estrangeira no processo, através de organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU), que teriam pressionado o governo brasileiro a homologar a reserva indígena.

Agora que se aproxima a operação que visa retirar os fazendeiros e rizicultores da TI, o clima fica tenso e informações cujas fontes pedem sigilo dizem que os militares e policiais federais que poderão atuar na ação de desintrusão não descartam a possibilidade de derramamento de sangue, uma vez que atuarão contra a vontade na operação.

A Terra Indígena fica situada em área de tríplice fronteira (Brasil/Venezuela/Guiana) e, conforme os discursos políticos, a destinação de 1,7 milhão de hectares de terra para 15 mil índios de várias etnias deixará a região desguarnecida e propensa a ser usada como mais uma porta de entrada para as ações que visam a internacionalização da Amazônia.

Pelo texto constitucional, os índios, enquanto povos ancestrais, têm direito à terra e à preservação da sua cultura e forma de viver. Porém, há entidades indígenas que se colocam contra a retirada dos fazendeiros. De sua parte, porém, a classe política e empresarial alega ter constituído seus patrimônios na região de boa fé e que não podem ser expulsos da área sem uma indenização justa e sem a destinação de uma nova área adequada à produção de arroz, que é um importante componente que movimenta a insipiente economia roraimense.

Certo é que a disputa por terras em Roraima é uma questão bastante complexa. Essa disputa põe em lados opostos, há décadas, indíos e não-índios. O clima de tensão gera discursos inflamados dos dois lados e instala o receio de um enfrentamento armado colocando índios, fazendeiros, autoridades policiais num confronto perigoso. Entre os que terão de abandonar suas propriedades, há quem afirme que não sai da TI sem resistência.

Em 2004, a revista inglesa The Economist, um dos ícones do capitalismo mundial, publicou um artigo que retrata bem esse clima de segregação entre índios e não-índios em Roraima. Com o título “Um novo Israel“, o artigo da The Economist foi repercutido pelo jornalista, escritor e tradutor Janer Cristaldo, no site Baguete. Vale como dica de leitura para se ter uma noção do olhar estrangeiro sobre a polêmica questão indigena/fundiária de Roraima.

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