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Roraima completa, nesta sexta-feira, 19 anos na condição de Estado da Federação. Foi alçado a esse status com a promulgação da Constituição Federal de 1988. Porém, a implantação propriamente dita do Estado só se deu no dia 1º de janeiro de 1991, com a posse do primeiro governador eleito por voto direto: o brigadeiro do ar Ottomar de Souza Pinto, que novamente está no poder.

Roraima é uma terra aconchegante, mas cheia de problemas. Ao longo dessas quase duas décadas, não conseguiu desenvolver sua economia. Durante esse tempo, foi alvo fácil para a ação de políticos paraquedistas e espertalhões que vilipendiaram os recursos públicos, pensaram apenas em projetos de poder pessoal e renegaram os interesses coletivos a segundo plano.

Questões fundiárias e indígenas colocaram fazendeiros e empresários contra os índios e estes contra aqueles, fazendo com que a situação sócio-política-econômica se complicasse ainda mais. Depois da homologação da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol, localizada no sudeste do Estado, em 2005, o clima político tem sido tenso. Os discursos inflamados [e às vezes irracionais] pró e contra a causa indígena provocam uma cegueira política que impede a construção de uma solução para o problema.

Para completar, Roraima, que fica na faixa de fronteira [tem como vizinhos a Venezuela e a Guiana], é rota para o tráfico de drogas. Nesses últimos dois meses muitas foram as apreensões de drogas [cocaína] e prisões de traficantes. Há ainda a questão do abuso sexual cometidos contra crianças. Também nos últimos meses foram muitos os casos noticiados na imprensa sobre pais [que pais?!] que abusavam sexualmente dos seus próprios filhos e filhas.

Porém, Roraima é dono de uma beleza natural invejável. Cachoeiras, lavrados, lagos, igarapés, rios, o Monte Roraima, o Monte Caburaí, fazem deste pedaço de Brasil um dos lugares mais bonitos do País. Este é um Estado ainda em formação. Tem apenas 15 municípios, contando com a Capital Boa Vista. Todos eles carecendo de melhorar a sua infra-estrutura urbana.

A população, que não chega a 400 mil habitantes, é composta por pessoas vindas de todos os recantos do Brasil: Paraíba, Maranhão, Ceará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, enfim, de praticamente todos os estados, e dos países vizinhos [Venezuela e Guiana].

Pelas suas riquezas naturais e culturais, Roraima tem tudo para ser um pólo turístico, mas ninguém faz nada para desenvolver este setor. Muitos falam, mas poucos fazem algo para alavancar este viés econômico, que poderia ser uma ótima alternativa de renda. Mas tudo fica no discurso vazio.

Cheguei a Roraima em fevereiro de 2002 e, desde então, tenho buscando estudar e entender a sociologia local. É algo bastante complexo, dada a miscigenação da população e os aspectos históricos, políticos e indígenas desta terra. Mas é um lugar que fascina a todos que por aqui aportam. Como se diz aqui, quem bebe da água do Rio Branco, que banha a cidade, não vai embora jamais. E quando vai, acaba voltando.

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