Com o surgimento da Internet e o seu aperfeiçoamento, a máxima “nós escrevemos, vocês lêem” ficou para trás. Os veículos de comunicação de massa convencionais – os impressos principalmente – estão tendo que se repensar enquanto empresas produtoras de conteúdo, uma vez que o suporte papel está sendo preterido em relação à publicação online. Os leitores jovens já preferem ler os veículos noticiosos da grande rede.

A rede mundial de computadores criou um novo conceito de jornalismo (antes existiam o jornalismo impresso, o radiojornalismo e o telejornalismo). No final do século passado, as grandes corporações de mídia – nacionais e estrangeiras – passaram a praticar o jornalismo online, que com o aperfeiçoamento da plataforma Internet se transformou no moderníssimo e multimidiático webjornalismo

Para poder ser considerado webjornalismo e não apenas jornalismo online é preciso que a notícia produzida pelo webjornalista faça a integração dos recursos multimídia – texto, som, áudio e vídeo – proporcionando ao leitor uma leitura não linear do produto final. Sem esses elementos multimídia, o jornalismo feito na Internet se resume ao simples jornalismo online, ou seja a mera transposição do texto do suporte papel para a tela do computador, via Internet.

Outros elementos podem e devem ser acrescidos à webnotícia, como flash e ilustrações em 3D para situações de catástrofes e acidentes ou para os casos em que não existe documentação em vídeo e flash e gráficos, que podem ser utilizados em notícias onde há muitas informações sobre questões técnicas. Não esquecendo aqui do hipertexto, que oferece ao leitor a oportunidade de se aprofundar no assunto a partir de leituras relacionadas.

Partindo desse princípio, podemos afirmar que nenhum dos sites de notícia de Roraima pratica o webjornalismo ou produz a webnotícia. Nem mesmo as versões online dos jornais impressos  – Folha de Boa Vista e Roraima Hoje – que fazem apenas a transposição do conteúdo impresso para a web. Como ia dizendo, os sites de notícia roraimenses praticam simplesmente o jornalismo online, alguns de forma ainda muito rústica. Em nenhum deles podemos encontrar a integração de recursos multimídia, que pode oferecer ao leitor uma visão global do acontecimento. E muito menos hiperlinks que levem a outras fontes de informação. Os veículos online locais são narcisistas. Bobamente narcisistas.

O site Fontebrasil, que é o de maior tráfego, ainda apresenta uma formatação gráfica tosca. Tem um designer não muito atraente. Mas é de longe o mais polêmico.

O Roraima em Foco, é um site com bastante informação, mas também não consegue praticar o webjornalismo propriamente dito. Além do mais se mostra poluído graficamente.

Na mesma linha segue o BVnews, que tem um designe mais moderno, clean, mas é igualmente limitado no que diz respeito aos recursos multimídia.

O BV Roraima, idem. O layout é pouco atraente. Muito pouco, por sinal.

O Jornal do Rádio veio como uma promessa interessante de fazer a integração texto/áudio – mas ficou apenas no primeiro.

Anunciado com certo estardalhaço, o recém lançado Jota7.com, que conta com um grupo seleto de jornalistas locais, muitos dos quais amigos e colegas deste blogueiro, também frustrou as expectativas. Principalmente pelo fato da sua Redação ser composta em grande parte por jornalistas de televisão. Ou seja, deveria haver no mínimo vídeos a ilustrar as matérias. Com o slogan: “o novo portal de notícias de Roraima”, o Jota7.com não tem característica nenhuma de portal, mas de um simples site.

Outro aspecto dos sites noticiosos roraimenses é a falta completa e absoluta de interatividade entre a Redação e o público leitor. Ou seja, no jornalismo online roraimense a máxima “nós escrevemos, vocês lêem” ainda impera.  

“No webjornal a relação [de interatividade] pode ser imediata. A própria natureza do meio permite que o webleitor interaja de imediato. Para que tal seja possível, o jornalista deve assinar a peça com seu endereço eletrónico [sic, grafia original no português de Portugal]. Dependendo do tema, as notícias devem incluir um “faça um comentário” de forma a poder funcionar como um fórum. No webjornalismo a notícia deve ser encarada como o princípio de algo e não um fim em si própria. Deve funcionar como um “tiro de partida” para os leitores”, diz o comunicólogo João Messias Canavilhas, da Universidade da Beira Interior, Portugal.

Daí, percebe-se que falta muito ainda para que possamos afirmar que se pratica o webjornalismo em Roraima.

PS – Ao contrário da diferenciação do conceito de jornalismo online e web jornalismo feita neste post, há autores que tratam os dois como se fossem uma coisa só, sem diferenciação.

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