“Ai que estrada mais comprida
ai que légua tão tirana
ah se eu tivesse asas
ainda hoje eu via Ana”

Passei boa parte da minha infância ouvindo o “Rei do Baião”, Luiz Gonzaga, cantando esses versos pelo rádio de pilha do meu pai. Todo final de tarde, nos programa de forró transmitidos pelas emissoras do interior cearense, era possível ouvir a voz inconfundível de Lua Gonzaga em meio aos acordes da sua sanfona branca. Faz exatos 18 anos que Luiz Gonzaga morreu. Era 2 de agosto de 1989 quando ele foi vitimado pela pneumonia, quando dormia. Gonzagão, como era chamado no meio artístico, foi um autêntico representante da cultura nordestina e da música popular brasileira. Fez parcerias memoráveis com o poeta cearense Patativa do Assaré e com o seu amigo sanfoneiro Dominguinhos. José Cândido, o distinto senhor que é avô dos meus filhos, teve uma conviência próxima com Gonzagão. Era ele quem consertava e afinava a sanfona branca do inesquecível “Rei do Baião”.

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