Terminei a leitura de um livrinho básico da coleção Primeiros Passos, editora Brasiliense, sobre “O que é ficção?”. Básico, mas muito bom. Na obra a autora Ivete Lara nos leva a uma viagem reflexiva sobre como o real e o imaginário se misturam e o significado dessas palavras já não fazem mais sentido na forma como o concebemos na nossa forma simplista de ver o mundo.

Um exemplo do nosso cotidiano: a programação da Rede Globo. As peças de ficção da emissora – as telenovelas – trabalham com temas da vida real, quase uma reportagem. Tome-se como parâmetro de análise a construção da narrativa de um Manoel Carlos, por exemplo, que nos parece mais real que o jornalismo chinfrim exibido no Jornal Nacional, no Fantástico e nos demais programóides pseudo-jornalísticos que transformam a vida das celebridades instantâneas saídas dos reality shows em notícia. Pela tela da Globo o que é real vira ficção e o que é ficção nos é enfiado garganta a dentro como se fosse realidade. Isso para não falar nos nossos (?) jornalões que transformam factóides em polêmica e assim aquecem suas vendas diariamente.

Claro que isso não é privilégio nosso. Afinal, a carnificina em que se transformou a segunda invasão dos Estados Unidos ao Iraque foi fruto de uma invenção da Casa Branca: as tais armas de destruição em massa que o Iraque possuiria e que nunca foram descobertas. Pelo simples fato de que nunca existiram. Então, um conselho. Belisque-se neste instante para constatar se o momento que você está vivendo agora é real ou apenas uma cena fruto da sua imaginação ou de um autor maluco. De repente, essas palavras que você está lendo nunca foram escritas, mas você é capaz de jurar que sim.

Anúncios