Boa Vista foi a terceira capital brasileira escolhida pelo Centro Cultural Cartola para o lançamento do documentário sobre a vida do sambista, cantor e compositor Angenor de Oliveira, imortalizado na cultura nacional como Cartola.

Lançado ontem no auditório do Palácio da Cultura, o filme “Cartola, música para os olhos”, traz detalhes sobre a vida de um dos maiores sambistas da história da música popular brasileira, com depoimentos de vários amigos e personalidades que vivenciaram com ele a cena cultural do Rio de Janeiro da primeira metade do século passado.

Nilcemar Nogueira, neta de Cartola e vice-presidente do Centro Cultural Cartola, comenta que o documentário traça um panorama de toda a trajetória do samba, dos sambistas, com destaque para seu avô, e as principais referências social e cultural que têm esses atores sociais.

“Cartola, música para os olhos” é um filme de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda que conta a fala da sua vida simples de pedreiro, lavador de carro, vigia, contínuo do Ministério da Indústria e Comércio e, finalmente, o famoso sambista boêmio que entraria para a história da música popular brasileira.

“Trata-se da documentação de uma trajetória de vida que conseguiu transformar a identidade cultural brasileira”, diz Nilcemar, chamando a atenção para a importância do da contribuição do sambista para a construção da rica história da música no país.

Um dos principais nomes da Estação Primeira de Mangueira, Angenor Oliveira se tornou referência musical para outros sambistas e cantores, mas nunca conseguiu ganhar muito dinheiro como compositor. Levou sempre uma vida modesta mas feliz, junto com a segunda esposa, Dona Zica, sempre nas rodas de samba.

Nascido em 11 de outubro de 1908, cartola terminou apenas o primário. Largou os estudos aos 15 anos, logo após a morte da mãe, dando início à sua vida boêmia. Uma das melhores definições sobre Cartola partiu do seu amigo Nelson Sargento, sambista e boêmio como ele, segundo o qual “Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve”.

Cartola morreu de câncer em 30 de novembro de 1980, aos 71 anos. Sua neta, responsável pela divulgação do documentário país a fora, define cartola como “um exemplo de dignidade”. E continua Nilcemar: “com a construção do samba carioca, ele foi a pessoa que implantou um modelo de organização que é referência nacional.

A escola de samba é um modelo de gestão”. Junto com a divulgação do documentário “Cartola, música para os olhos”, a neta do sambista carioca também divulga a campanha para eleição do samba como patrimônio imaterial do Brasil.

Outras praças

O documentário sobre a vida de Cartola foi lançado primeiramente no Rio de Janeiro, como não poderia deixar de ser. A segunda capital a assistir o filme foi São Paulo. Agora, o documentário chega a Roraima. A próxima parada, segundo Nilcemar Nogueira, será Rio Grande do Sul. Lá, como aqui, serão repassadas informações sobre a construção do samba como identidade musical do país.
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