Segue abaixo um lúcido artigo do repórter Amílcar Júnior sobre as mudanças no setor de segurança pública do estado de Roraima:

“O governador do Estado, Ottomar de Souza Pinto, mexeu esta semana na cúpula da Segurança Pública.

A mais nova dança dos coronéis não pode ser encarada apenas como uma simples valsa romântica para satisfazer egos.

Com a mudança, moradores da periferia, principalmente, esperam sentir na pele mais tranqüilidade, conforto e paz.

O remanejamento de oficiais superiores, ao que tudo indica, não mudará o alarmante quadro da violência urbana.

O povo precisa, na verdade, de mais policiais nas ruas. A redução do crime só acontece quando a Polícia se faz presente, ou quando há um abrangente programa social, coisa inexistente em Roraima.

O novo comandante da PM, o coronel Márcio Santiago, mesmo com larga experiência e competência indiscutíveis, terá que fazer milagre com o baixo contingente à disposição, uma vez que suas fileiras cada vez mais ficam desfalcadas.

O efetivo da PM roraimense há tempos não atende mais a demanda. Portanto, não há outra saída, a não ser a realização de concurso público.

Mas o comandante pode começar a arrumar a casa pela cozinha. Basta adotar medidas simples, paliativas, como obrigar policiais apadrinhados a voltar a calçar a botina.

Explico: muitos PMs estão escondidos em gabinetes, à disposição, longe do campo de batalha: a periferia de Boa Vista. A bandidagem torce para que tudo continue como está.

Nossos policiais militares, com raras exceções, são bem preparados. Contudo, o número de bandidos aumenta a cada dia, em detrimento das fileiras da PM, que se desfalcam ano após ano.

Resumindo: é muito criminoso para pouco policial. Então, o problema não é do Comando, mas da falta de contingente, de decisão política, da necessidade urgente do concurso público.

Por outro lado, saindo do ostensivo, a Polícia Civil de Roraima também enfrenta sérios problemas. O novo secretário de Segurança Pública, coronel PM Gerson Chagas, acaba de segurar uma ‘batata muito quente’.

Não bastassem a falta de aparelhagem e o baixo efetivo nas delegacias da Capital e Interior, Chagas terá que rebolar muito, mostrar um sensacional jogo de cintura para administrar o conflito de ego dos delegados e o total descontentamento por parte dos agentes.

Na Secretaria de Justiça e Cidadania, o novo titular e também coronel, Uzi Brizola, ex-comandante da PM, sabe Deus até quando vai segurar as estridentes ‘panelas de pressão’ de Roraima.

Cadeia pública, penitenciárias e presídio feminino, todos sabem, estão superlotados e as rebeliões podem explodir a qualquer momento. O problema na Sejuc também não é de administração, mas da falta de políticas.

Portanto, não adianta apenas remanejar. A segurança da população se faz com investimentos. O policial tem que ser visto na rua, tem que ganhar bem, tem que ter arma, munição, carro, gasolina e até papel para imprimir o BO.

A dança dos coronéis não vai resolver nada. O boa-vistense continuará saindo de casa, sem saber se voltará”.

Amílcar Júnior é repórter do jornal Roraima Hoje e o mais bem humorado cronista do “mundo cão” nesta terra macuxi.

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