Conclui no domingo a leitura de “Blog – Entenda a Revolução que Vai Mudar seu Mundo”, de Hugh Hewitt, colunista do The Daily Standard, a edição on-line de The Weekly Standard, e do WorldNetDaily.com. Hewitt é um entusiasta do fenômeno blog.

O livro pode ser considerado a bíblia dos blogueiros. Na obra, Hewitt fala algumas obviedades sobre o assunto, coisas elementares, mas faz uma defesa apaixonada do uso da ferramenta blog como um importante instrumento de democratização da comunicação nos Estados Unidos e no mundo.

O escritor americano, ele mesmo um dos blogueiros mais visitados dos EUA, como não poderia deixar de ser, é tido pelos meios de comunicação e acadêmicos americanos como o historiador não oficial da blogosfera.

Para o escritor, “o melhor objetivo de um blogueiro é colocar outros no ofício”. E ele segue esse seu pensamento à risca. São vários os momentos no livro “Blog” em que ele incentiva: “crie já o seu blog”. Não há área do conhecimento ou dos negócios que, segundo Hewitt, não possa ser beneficiado pela utilização dos blogs.

Hewitt compara o impacto da explosão geométrica da blogosfera para os meios de comunicação tradicionais ao que foi a Reforma Luterana para a Igreja Católica, e ainda o que representou a invenção da imprensa por Gutenberg para a difusão de conhecimento mundo a fora.

“A democratização da Bíblica por Lutero levou, por intermédio de Calvino, à democratização da Igreja. E a partir desse ponto, era apenas uma questão de tempo para que a democracia chegasse à política civil. (…) Em 1449, Gutenberg amplificou a voz humana de tal modo que ela pôde ser ouvida em todo o mundo. Ele forneceu os meios pelos quais uma pessoa pode se comunicar com as massas sem interferência das estruturas institucionais. Finalmente, os indivíduos podiam falar e nisso ninguém podia silenciá-los. (…) Para a Mídia Hegemônica, estamos ao mesmo tempo em 1449 e 1517”, diz o escritor, ao comparar os momentos históricos que mudaram a relação das pessoas com o poder e o surgimento da blogosfera.

O jornalista lembra, porém, que a democratização trazida pelos blogs, que dão voz a quem antes na tinha, prescinde da conquista de credibilidade. E essa credibilidade está intimamente ligada à atualização do blog pelo seu autor e a qualificação do blogueiro. “Qualquer um que queira ter voz pode ter, embora a atenção ao que é “dito” precise ser conquistada”, observa o entusiasta da blogosfera.

Hewitt também frisa na obra “Blog” que a importância que os blogs assumiram principalmente nos Estados Unidos se deve à falta de credibilidade da “imprensa hegemônica”, cuja mesma ele acusa de ser de centro-esquerda. Ele, que se confessa de centro-direita, diz que diante do descrédito dos meios de comunicação convencionais os blogs passaram a figurar como leitura obrigatória entre os americanos que querem obter uma informação diferenciada. “Então, os blogueiros chegaram como a cavalaria descendo a montanha”, compara.

“Blog” foi lançado este ano no Brasil pela editora Thomas Nelson Brasil.

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