Na semana que passou, resolvi pautar os repórteres do jornal Roraima Hoje para fazer uma série de matérias sobre a vida nos bairros de Boa Vista, sejam eles periféricos ou próximos do núcleo central da cidade.

O objetivo foi levantar as dificuldades enfrentadas pelos moradores, no que diz respeito às questões como infra-estrutura, saneamento, iluminação pública, transporte e serviços como educação e saúde.

Foi preciso apenas a publicação da primeira rodada de matéria para que se tivesse a constatação – apesar de não ser algo novo – de que os habitantes dos bairros mais pobres são deixados em segundo plano em relação aqueles de melhor poder aquisitivo que moram nos bairros chamados de “nobres”.

Aqui vale lembrar aquela metáfora já surrada, mas que se encaixa de forma perfeita na situação: “a água só corre para o mar”. Quem já tem uma situação de vida menos difícil acaba sendo brindado com melhores condições de moradia pelo poder público. É a elite cuidando da manutenção do seu status quo.

Já aquelas pessoas que moram nos bairros desprovidos de condições dignas de habitação, com ruas cortadas por valas que servem de encubadoras de doenças e sem iluminação pública – ainda que as taxas sejam pagas – são quase que ignoradas pelo poder público.

Os governos das grandes e médias cidades parecem ter a preocupação de esconder embaixo do tapete os seus problemas sociais. Os pobres são mantidos na periferia, vivendo em condições humilhantes. Já o centro das cidades,é sempre bem cuidado para atrair a atenção dos visitantes, é reservado para quem tem melhor condição financeira.

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