Tenho vivido intensamente a minha profissão e jornalista. Sempre que posso, busco nos mestres do passado, mas que se imortalizaram com suas obras, aprender um pouco mais sobre como narrar fatos com uma linguagem saborosa.
Domingo passado estava lendo as crônicas de Antônio Maria. Quanta poesia há na sua forma de escrever sobre o cotidiano. Antônio era como um escultor, que tirava das situações mais insípidas sempre uma obra prima, cunhada com todo o esmero.
Amigo íntimo de Vinícius de Morais, Antônio Maria viveu todo o clima boêmio e romântico do Rio de Janeiro e sua Copacabana dos anos 1950 e 1960, imortalizados na obra de ambos. Foi dos bares e cafés daquele pedaço da Cidade Maravilhosa que saíram as melhores crônicas de Antônio Maria, as melhores poesias de Vinícius. Escritor e poeta invejáveis, sem dúvidas.
Estive no Rio de Janeiro em 2003. Deslumbrei-me com a imagem do Cristo Redentor, a praia de Copacabana, a boemia carioca, o sol do Rio, enfim. Só depois, lendo e relendo os bons cronistas que viveram os anos dourados daquela cidade, pude entender o quanto ela é importante para o cenário cultural brasileiro. Não que eu não soubesse disso antes, mas essa certeza ficou mais viva em mim.
Hoje, rememoro a satisfação com que olhava o Cristo da janela do hotel onde estivera hospedado. Aquele pôr do sol, aquele amanhecer, aquele mar azul, aquelas noites, aquele Rio… Parte da genialidade dos Antônios Maria, dos Jobins e Vinícius é decorrente daquela atmosfera. O homem é, definitivamente, produto do meio. Os poetas e boêmios mais ainda.

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