A elite carioca, em particular, e brasileira, de uma forma geral, se mostra perplexa com a explosão da violência no país. Cidades de médio e grande porte têm o seu cotidiano alterado em decorrência da ação dos ditos marginais.
Mas essa mesma elite ruborizada – os barões da mídia incluídos – faz de conta que não tem culpa no atual quadro social brasileiro. A desonesta e histórica falta de investimento em educação, além da desumana concentração de renda nas mãos de uns poucos poderosos e soberbos, são as principais causas da situação social crítica a que chegamos.
Os marginalizados partiram para o ataque. Alguns viraram um misto de homens e monstros – deformados que foram pelas injustiças sociais – e agora cobram a sua parcela de participação na riqueza concentrada nas mãos de tão poucos eleitos. Por isso, estamos vivendo essa revolução civil que a elite insiste em não ver e o poder político permanece ignorando.
Em entrevista à revista eletrônica de cultura e literatura, Verbo 21, o jornalista e escritor Toninho Vaz, conversa sobre esse assunto com o repórter Lima Trindade.
Eis a opinião de Toninho: “Os políticos e governantes têm comportamento de bandidos quando o assunto é educação. Falta de vontade política, neste caso, é atitude criminosa. Depois os bacanas da classe média ou mesmo da elite se perguntam e se escandalizam com o cerco que sofrem das glebas em revolta. E gastam um volume fabuloso de dinheiro com segurança, mas pouco fazem para mudar esta realidade…”
A violência no Brasil é um problema social. Enquanto os ricos, os políticos, os responsáveis pela formulação de políticas públicas efetivas ignorarem o abismo social que separa ricos e pobres a situação vai perdurar e piorar ainda mais, até chegar à deterioração completa e absoluta da sociedade brasileira. E aí, de nada vai adiantar se trancar em casa, sob a proteção de portões e cercas eletrônicos, câmeras de vídeo, seguranças particulares entre tantos outros artifícios de segurança.

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