Desde muito criança sonhava em ganhar a vida escrevendo. Seria inevitavelmente jornalista ou escritor. Não passava outra profissão na minha cabeça a não ser essas duas. Durante 11 anos da minha vida trabalhei como ourives, derretendo e dando forma a pequenas porções de ouro e prata para transformá-las em jóias ou semi-jóias. Uma atividade que exige paciência e a constante busca da perfeição. Foi daí que tirei a obsessão pela perfeição no texto, pois construir um escrito de qualidade requer a mesma paciência, perseverança e capacidade de fazer e refazer até achar a forma correta. A caneta é como o martelo e a bigorna com os quais o artesão da palavra busca dar forma à sua obra.

O tempo passou e eis que aqui estou eu, ganhando a vida com as palavras. Transformei-me exatamente no que queria ser: um jornalista. É da lida diária com o texto que tiro meu ganha pão. Vivo há anos entre livros e textos de todos os tipos. Acabei enveredando, seguindo o curso natural da minha personalidade, para a escritura de textos críticos. É o que tenho feito na coluna IMPRENSA URGENTE, publicada diariamente no Jornal Roraima Hoje. Nela, faço a crítica da mídia de Roraima, um estado cujos meios de comunicação ainda não alcançaram o século XXI. Vivem uma prática ancorada no modelo midiático que vigorou na segunda metade do século que ficou para trás.

As minhas observações há dias em que são bem recebidas. Noutros dias causa indignação e raiva em quem lê. Há quem fique ofendido. Alguns me tomam por pedante. Como pratico jornalismo há mais de 12 anos, mas tenho formação em Letras e não em Comunicação Social, há os que me condenam, pois eu não sou jornalista por formação. Mas tenho a convicção de que sou muito mais jornalista de que alguns que ostentam o diploma de jornalismo e são incapazes de escrever um parágrafo para jornal corretamente ou, pelo menos, de forma elegante. Perdem-se na sintaxe, no uso apropriado das palavras, enfim, no manejo com a língua.

Para finalizar este post, ainda falando sobre a crítica que faço e a sua utilidade e objetivo, cito uma fala do saudoso, polêmico e inimitável jornalista Paulo Francis: “Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isto na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica. Às vezes é estúpida. O leitor que julgue. Acho que quem ofende os outros e os leitores é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma. Meu tom às vezes é sarcástico. Pode ser desagradável. Mas é, insisto, uma forma de respeito, ou, até, se quiserem, a irritação do amante rejeitado”.

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