Os números revelados por uma pesquisa feita pela Associação Mundial de Jornais (WAN, na sigla em inglês) revelam que as previsões sobre os dias contados do jornal impresso podem estar equivocadas. Conforme os dados divulgados pela WAN, no final de janeiro último, a circulação mundial de jornais cresceu 9,95% entre 2001 e 2005. No ano de 2005, o crescimento foi de 2,36%. A verificação em torno da circulação de jornais no mundo inteiro abrange tanto os veículos pagos quanto os gratuitos. No levantamento foram analisados e tabulados os dados coletados até o mês dezembro de 2005. Os números por região do planeta são os seguintes: a América do Norte teve crescimento de 0,7% durante os 5 anos da pesquisa. Foi constatada aí uma estabilidade em relação ao último ano. A Europa, por sua vez, apresentou um acréscimo na circulação de jornais de 2,12% em cinco anos, sendo que somente 2005 esse índice foi de 4,18%. Somente a América do Sul apresentou dados que se não acompanham a tendência mundial no que diz respeito à circulação de jornais. Na região, a circulação caiu 9,92% entre no período 2001/2005. No entanto, apresentou um acréscimo no porcentual de 2,33% também em 2005. A notícia boa é que o número de diários em circulação na América do Sul teve um crescimento de 20,25% no mesmo período. Se analisado apenas o ano de 2005, o índice de crescimento foi de 1,03%. As empresas de jornalismo impresso têm, então, motivos para comemorar.

Previsões equivocadasOs dados das pesquisas da WAN demonstram também que as previsões fatalistas de que o surgimento de uma mídia vai suplantar as demais é se mostram sempre equivocadas. Quando o rádio surgiu, muito se falou que o novo veículo acabaria com a hegemonia do jornal impresso, pois aquele era (é) mais abrangente, dinâmico e democrático, atingindo rincões que o jornal impresso, com a sua característica elitista de certa forma excludente, não alcançava. Depois, veio a televisão e os profetas de plantão passaram a decretar a morta do rádio e o declínio definitivo da mídia impressa. O que também não ocorreu. Cada veículo teve que se adaptar da forma que pôde para continuar vivo. Quando surgiu a Internet, mais uma vez, vieram as previsões fatalistas de que o jornal impresso estava com os seus dias contados. Como era de se esperar, a previsão não se concretizou. Claro que o jornalismo impresso sofreu um abalo, como é comum diante do surgimento das novidades tecnológicas, mas o bom e velho jornal continua aí. O que é inegável – e temos tratado desse sempre desse assunto aqui na nossa IMPRENSA URGENTE – é o fato de que o jornalismo digital trouxe algumas mudanças de postura, de linguagem, de contato e relacionamento com o público leitor, com as feições gráficas dos jornais etc. Mas os números da pesquisa realizada no ano passado deixam claro que os jornais continuarão existindo, com seu lugar no mercado e no gosto dos leitores. Pois, para muitos, como eu, não existe sensação que substitua o manuseio das páginas impressas do jornal nosso de cada dia.

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