Os primeiros anos de vigência do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, Lei 8.069) foram de certo conflito com os veículos de comunicação, que pareciam não entender e tão pouco aceitar as restrições que passaram a ser impostas pela nova lei ao uso das imagens de crianças e adolescentes, inseridos como personagens nas matérias que veiculam.

O ECA, em seu Capítulo II, que trata do “Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade” da criança e do adolescente, diz que o “direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais”.

Durante os primeiros anos de vigência o Estatuto, a mídia praticamente ignorou essas restrições, reclamando o direito de bem informar à população. Demorou para que os veículos de comunicação digerissem a idéia de que era preciso mudar de atitude e dar um tratamento diferenciado ao jovem em situação de risco em suas matérias. Afinal, estes são vítimas e produto de uma realidade social desumana.

Hoje, a imagem e o nome de adolescentes envolvidos em atos infracionais são resguardados. Porém, ainda há muitos críticos dessa limitação imposta pelo ECA. Mas o efeito da atuação da mídia na vida de crianças e adolescentes ainda é abrangentes e influi na sua formação, enquanto pessoas e cidadãos. Jovens são influenciáveis e tendem a seguir a moda ditada pela mídia. Daí a responsabilidade social enorme dos “mass media”.

O despertar para o sexo mais cedo é um dos efeitos mais notórios que a mídia exerce sobre os nossos jovens. O incentivo que os veículos de comunicação dão aos jovens para que iniciem sua vida sexual ainda nos primeiros anos da adolescência se dá por meio de revistas do tipo Querida, Carícia, Capricho, Ana Maria entre outras que falam de beleza, moda, namoro, drogas, experiências vividas etc.

Na cabeça de muitos adolescentes, não seguir os padrões, modismos e conceitos de comportamento ditados por essas publicações é correr o risco de ser discriminado na tribo, de ficar de fora da “onda do momento”. Claro que, por uma questão de evolução natural, os jovens de hoje têm um comportamento bastante diferente dos de uma, duas décadas atrás, para não irmos muito longe.

As nossas crianças, ainda em tenra idade, já demonstram um senso de curiosidade bem maior e uma disposição para atividades simultâneas superior às crianças da minha época, por exemplo. E olha que só tenho 33 anos. O grande prejuízo que a mídia pode causar aos jovens e adolescentes tirar-lhes o senso da realidade, principalmente através de programas televisivos, filmes e revistas que glamurizam o sexo pelo sexo entre adolescentes, o consumismo desenfreado e a violência. Esse é uma discussão que ainda vai gastar muita tinta [ou bits]. Mas vale a pena.

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